Durante muitos anos, a migração para a AWS foi tratada como um movimento essencialmente técnico: sair do data center físico e mover workloads para a nuvem o mais rápido possível.
Essa abordagem, conhecida como lift-and-shift, ainda é comum em grandes organizações que buscam ganhos imediatos de agilidade ou redução de custos de infraestrutura.
No entanto, à medida que a maturidade em cloud evolui, fica evidente que migrar nem sempre é sinônimo de modernizar.
Empresas que limitam sua estratégia ao lift-and-shift acabam reproduzindo na nuvem as mesmas limitações de arquitetura do ambiente on-premises, desperdiçando grande parte do potencial da AWS.
Mais do que uma simples mudança de endereço da infraestrutura, migrar para a nuvem exige repensar arquitetura, modelos operacionais e integração com dados, analytics e inteligência artificial.
É justamente nesse ponto que a modernização na nuvem se torna decisiva.
Por que o lift-and-shift, sozinho, limita os resultados na AWS?
O lift-and-shift AWS consiste basicamente em mover aplicações e servidores para a nuvem com poucas ou nenhuma alteração no código ou na arquitetura.
Embora essa estratégia possa acelerar o time to cloud, ela traz restrições importantes.
Em primeiro lugar, workloads migrados dessa forma raramente se beneficiam de elasticidade real, serviços gerenciados ou automação nativa da AWS.
Como consequência, custos operacionais podem permanecer elevados, principalmente em ambientes mal dimensionados ou com baixa eficiência de uso.
Além disso, arquiteturas legadas migradas sem ajustes tendem a apresentar gargalos de performance, maior complexidade de manutenção e desafios de segurança.
Em setores regulados, como financeiro e saúde, isso se traduz em maior esforço de governança e risco operacional.
Ou seja, embora o lift-and-shift possa ser um ponto de partida válido, ele não deve ser o destino final de uma estratégia de migração para a AWS orientada a crescimento, inovação e escala.
Migração para a AWS como jornada de modernização
Uma abordagem madura de migração parte do princípio de que cada aplicação exige uma estratégia específica.
A AWS, inclusive, estrutura essa visão por meio dos chamados 6 Rs da migração, dos quais três estão diretamente ligados à modernização de arquitetura:
- Rehost (lift-and-shift);
- Replatforming;
- Refatoração de aplicações.
Entender quando e como aplicar cada uma dessas estratégias é essencial para extrair valor real da nuvem.
Rehost: quando faz sentido manter o lift-and-shift
O rehost pode ser indicado em cenários específicos, como aplicações estáveis, com baixo volume de mudanças ou sistemas que precisam ser migrados rapidamente por questões contratuais, regulatórias ou de fim de vida de hardware.
Nesse contexto, o lift-and-shift funciona como uma etapa inicial, o que permite que a empresa ganhe familiaridade com a AWS, estabeleça práticas de governança e prepare o terreno para evoluções futuras.
No entanto, mesmo nesses casos, é fundamental que o rehost seja planejado dentro de uma arquitetura moderna na AWS, considerando redes bem segmentadas, segurança por camadas e observabilidade desde o início.
Replatforming: o primeiro passo real de modernização
O replatforming vai além do simples deslocamento da aplicação. Aqui, são realizadas adaptações pontuais para aproveitar serviços gerenciados da AWS, como bancos de dados, balanceadores de carga e soluções de monitoramento.
Essa estratégia já permite ganhos relevantes em eficiência operacional, redução de esforço de manutenção e melhor escalabilidade.
Ao substituir componentes autogerenciados por serviços nativos da nuvem, a empresa reduz riscos e aumenta a resiliência do ambiente.
Além disso, o replatforming cria uma base sólida para evoluções futuras, especialmente em iniciativas de dados, analytics e automação inteligente.
Refatoração de aplicações: preparando o ambiente para o futuro
The refatoração de aplicações representa o nível mais avançado de modernização. Nesse modelo, aplicações são redesenhadas para operar em arquiteturas cloud native, utilizando microsserviços, containers, APIs e eventos.
Embora exija maior investimento inicial, a refatoração oferece benefícios estratégicos de longo prazo: escalabilidade granular, resiliência elevada, ciclos de inovação mais rápidos e integração fluida com soluções de dados e inteligência artificial.
É esse tipo de arquitetura que permite explorar, de forma plena, serviços avançados da AWS, como analytics em larga escala, machine learning and IA generativa.
Arquitetura moderna na AWS como base para dados e IA
A modernização arquitetural não é apenas uma questão de performance ou custo, está diretamente ligada à capacidade da organização de extrair valor dos dados.
Segundo projeções recentes da Gartner, até 2029 cerca de 50% dos recursos de computação em nuvem estarão dedicados a workloads de artificial intelligence and machine learning, um aumento significativo em relação aos menos de 10% atuais.
Esse dado evidencia uma mudança estrutural: ambientes que não forem pensados para dados e IA desde a arquitetura tendem a se tornar rapidamente obsoletos.
Aplicações refatoradas ou replatformadas facilitam a integração com data lakes, pipelines analíticos e modelos de machine learning.
Além disso, serviços gerenciados da AWS oferecem segurança, governança e escalabilidade essenciais para operar IA de forma responsável e eficiente.
Nesse cenário, a migração para a AWS deixa de ser um projeto de infraestrutura e passa a ser um habilitador estratégico de inovação.
Redução de custos, performance e segurança: efeitos colaterais positivos da modernização
Um dos mitos mais comuns é que modernizar sempre custa mais. Na prática, organizações que adotam uma abordagem estruturada de modernização na nuvem conseguem reduzir custos totais de operação ao longo do tempo.
Arquiteturas modernas permitem:
- Escalar recursos sob demanda, evitando ociosidade;
- Automatizar rotinas operacionais;
- Aumentar a performance sem superdimensionamento;
- Implementar segurança por design (Security by Design), com menor esforço corretivo.
Além disso, ambientes bem arquitetados na AWS simplificam auditorias, melhoram a rastreabilidade e fortalecem a postura de conformidade regulatória.
O papel do planejamento na migração para a AWS
Mais importante do que escolher tecnologias é definir uma estratégia clara de migração e modernização.
Isso envolve mapear aplicações, entender dependências, avaliar criticidade de negócio e alinhar expectativas de curto, médio e longo prazo.
Empresas que tratam a migração como um projeto isolado tendem a enfrentar retrabalho, custos inesperados e limitação de resultados.
Por outro lado, aquelas que encaram a migração como uma jornada contínua de modernização constroem ambientes mais eficientes, seguros e preparados para o futuro.
Modernizar não é opcional: é estratégico
A nuvem já deixou de ser apenas um ambiente alternativo de infraestrutura e se tornou o principal motor de inovação corporativa, especialmente quando conectada a dados, analytics e inteligência artificial.
Nesse contexto, migração para a AWS não pode ser sinônimo de lift-and-shift. Modernizar é o que diferencia empresas que apenas mudaram de plataforma daquelas que realmente transformaram sua operação.
Ao combinar visão estratégica, arquitetura moderna e uso inteligente dos serviços AWS, organizações constroem uma base tecnológica capaz de sustentar crescimento, eficiência e inovação contínua.
Sua organização está pronta para ir além do lift-and-shift e extrair valor real da migração para a AWS?

Com a especialização da ST IT Cloud em arquitetura moderna, modernização na nuvem e ambientes AWS orientados a dados e IA, sua empresa transforma a migração em um pilar estratégico de eficiência, segurança e escalabilidade.
Talvez você goste também:
Como a inteligência artificial está elevando a eficiência operacional nas empresas?
Data Analytics: transforme dados em decisões estratégicas em 2026





